Arquivo de Fevereiro 2008

Crónica 7

23 Fevereiro, 2008

Penso que aos poucos começo a largar o meu trauma de não te conseguir tratar por diminutivos carinhosos ou por outros termos semelhantes.  Acho que chamar-te “querida” já é um grande progresso. No entanto, deixaste-me agora estarrecido ao dizeres que me viste em Braga. Também passeias por aqueles lados? Por que não me disseste nada, por que não me puxaste por um braço, por que não gritaste na rua por mim? Acho que nem eu teria sabido o que fazer, mas o simples facto de te ver novamente, passados tantos anos, era suficiente…

Já não ando de calções, Mariana. Estas pernas já não são o que eram antes, já não se prestam a isso. Em revistas nunca mais apareci, desde que partiste nunca mais surgiu um trabalho que me desse gozo fazer, nunca mais me esforcei por isso. Continuo a fotografar por passatempo, sabes que sempre gostei de fotografia e apesar de não andar pelas montanhas, ainda me dá prazer ir a alguma cidade vizinha, de tripé às costas fotografar a arquitectura e paisagens. Braga serviu para eu rever o Museu da Imagem, local que me revigora.

Viste-me de fato, porque esse é o meu traje diário. Acho que uma pessoa quando perde o amor da sua vida, se deve vestir de uma forma formal, de fato escuro, como se todos os dias houvesse uma cerimónia de despedida, de fazer o luto.

Contudo, penso que o antigo Filipe, aquele que conhecias, ainda existe, está apenas adormecido, à espera de uma bela que o acorde. À espera que tu o acordes.

Eu digo-te onde reencontrar o Filipe. Eu conto-te, desde que voltes.

 

Um beijo de quem sempre espera por ti,

Filipe

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