Arquivo de Abril 2008

Crónica 11

15 Abril, 2008

Confesso que às vezes não percebo quando falas a sério ou se estás simplesmente a ser irónica. Não sei se tens distúrbios de personalidade ou se sou eu que sou mais complexo do que digo que sou.

Sou sentimentalista? Talvez. Mas será que o melhor que tens a fazer é reprimir os teus sentimentos, é escondê-los? Achas que te tornas mais forte sem mostrar que os tens? Pelo contrário Mariana, pelo contrário. Não mostrares os sentimentos é seres mais fraca, que forte, é revelares que tens medo de assumir o que sentes, que não tens controlo nas tuas emoções. Que sou sentimentalista? Talvez. E tu preferes ser fria?

Dizes que eu não te posso amar, só porque não te vejo há muitos anos. Todos os dias eu te vejo, todos os dias penso em ti, isso não é amar? Contudo, cais no contra-senso de dizeres que amas o Filipe que conheceste. Agora diz-me por favor, por que não te posso amar e tu podes? Por que tens direito de sentir algo por mim e por que tenho eu de reprimir aquilo que por tantos anos ansiei? Por que não enfrentas a realidade, por que não recuperas a tua coragem antiga? Sempre fui corajoso, dizes tu. Por que não hás de ser também?

Por que não combinarmos um encontro? Não um encontro, encontro. Um encontro esporádico, nem peço um café, nem umas horas sentado contigo. Peço apenas uns segundos. Por que não combinarmos ir às Finanças no mesmo dia? Por que não rentabilizarmos anos de ausência numa fila de serviços?

Um dia hás de dizer-me que sim. Nem que seja nos meus sonhos, durante a fase REM..

Filipe

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Crónica 10

8 Abril, 2008

Amas-me… Estás anos sem me ver e dizes que me amas… Amas-me ou amas a memória que tens de mim? Aquela que o tempo vai polindo até deixar só as coisas boas e fazer esquecer as más? Amas-me Filipe?

E ainda dizes que sou eu que complico as coisas… Eu complico as coisas de uma forma demasiado racional… Tu complicas de forma sentimental… Sempre me conheceste, e à minha mente hiperactiva, estavas à espera de milagres? O tempo pode fazer muita coisa, mas milagres não sei…

O amor só é uma coisa simples na sua base… Tudo o resto que vem, dificilmente será simples. Muito menos no meu caso…

Mas ainda assim, isso não interessa para nada. Eu ainda amo o Filipe que conheci, mas tenho medo de descobrir que ele já não existe. Tenho vontade de te ver, mas ao mesmo tempo não quero. Sempre tive medo de te perder, e o medo continua.

Apetece-me ver-te, descobrir-te os fios de cabelo branco no meio do teu cabelo preto, comparar os nossos tons de pele como antigamente, ser feliz como era… Mas já não acho que possa. Eu dei cabo de tudo quando parti, dei cabo de ti, de mim e de nós… Tenho medo de não conseguir enfrentar a nova realidade… Tu é que sempre foste o corajoso.

Mariana*

Crónica 9

2 Abril, 2008

És complicada demais, a tua cabeça funciona de forma diferente da minha.
Desculpa começar uma carta desta forma, desculpa entrar de rompante por tua casa adentro, em formato de palavras escritas, de modo arrogante a afirmar que complicas demais, mas efectivamente complicas.
Não, não entendo. Já tentei entender muita coisa, já tentei perceber por que é que o céu é azul, por que é que o sol é tão quente, até por que é que quando chove surge um arco-íris… Houve muita coisa que fiz um esforço para perceber, mas porque tu partiste nunca tentei perceber. Não posso tentar perceber uma coisa que me aflige, que não tem compreensão possível.
O amor é uma coisa simples. Qual é a dificuldade? Duas pessoas, o mesmo amor. Por que insistes em tornar as coisas tão complicadas?
Estou a começar a ficar cansado. Se eu não te amasse tanto acho que já tinha desistido.
Existe uma diferença. Tu viste-me em Braga. Tiveste a oportunidade de me ver as cãs do cabelo, de ver as modificações que me ocorreram na pele, as mudanças na roupa, na pose e no trejeito. Eu não tive nada disso. Não te vi. Há anos que não te vejo, há anos que não te miro por cima do meu jeito de homem indiferente, admirando por trás de todo o meu orgulho, como se fosses a coisa mais preciosa na Terra.
És a coisa mais preciosa na Terra. Parece um bilhetinho trocado entre meninos da primária, mas sinto-me realmente desta forma. Eu amo-te, mas há coisas que não suporto, a tua ausência é uma delas. Acho que me esqueci de como realmente é a tua face. Acho que me estou a esquecer de ti, de mim, de nós. Do passado.
Largaste quem poderias vir a gostar, por minha causa. Eu fico feliz, é verdade. Mas só isso não chega. Mexe-te também , age, dá às pernas, anda de bicicleta, mas por favor, faz alguma coisa. Salva aquilo que resta entre nós, salva as lembranças que ainda tenho, permite que te veja, permite que te ame. Depois sim, podes falar em acordar.

Filipe.