Arquivo de Junho 2008

Crónica 13

11 Junho, 2008

Mariana,

Quase me faltou o fôlego quando, hoje de manhã e ainda de pijama, abri a minha caixa do correio. Passou um mês, Mariana. Num mês tanto se passa, mas durante este último a minha vida esteve em suspenso. Esperei dias a fio por uma resposta tua, uma carta, qualquer coisa de poucas palavras, um telegrama talvez “Estou viva. STOP.”

Pensei em correr os hospitais da zona, ligar para a Eduarda, tentar procurar-te, tentar contactar-te, obter qualquer sinal teu. Não sei porque não o fiz, mas acho que lá no fundo sempre esperei que tivesses partido de uma vez, que te tivesses decidido, um não redondo, mas que pelo menos não era um talvez, quem sabe.

Bipolar, acho que sou. Esquizofrénico, eventualmente. Há dias em que te quero longe de mim, há outros que quero-te junto. Andas a deixar-me louco com as tuas indecisões, com as tuas possíveis respostas, com o teu rol de objecções, com os teus quês e porquês, os teus medos (o principal sou eu). Também preciso de ti, Mariana. Mas dá-me uma resposta ao menos, decide, decide, que já não tenho capacidade para mais. Por favor.

Acho que hoje fico por casa, de pijama. Não tenho reacção à tua carta. Um mês é muito tempo. O amor é a solidão das multidões. Eu faço parte dessa multidão. Hoje fico por casa, de pijama. À espera de uma resposta tua. Gosto do teu café, gosto sim. Quem sabe não será numa destas manhãs que vou acordar com o cheiro ao teu café?

Amo-te,

Filipe

Anúncios

Crónica 12

11 Junho, 2008

Querido Filipe…

Desculpa-me o tempo que estive sem te escrever. Saí em trabalho durante um mês e preferi aproveitar e não levar comigo a tua morada… Tive de tentar pôr a cabeça em ordem (e tão desordenada que ma deixaste, Filipe).

Fiquei na esperança de te reencontrar. De te reencontrar (encontrar-te por acaso serve) algures no mundo. Preferencialmente, gostava de te reencontrar por uma mera eventualidade na minha cozinha, enquanto te fazia café como antigamente.

Chama-me louca, diz que sou bipolar, não quero saber. Tenho medo de ti (do teu novo eu, que não sejas quem eu espero reencontrar) e ao mesmo tempo preciso de te sentir perto de novo, por isso não
esperes reacções muito balanceadas. Os meus tempos de yôga já lá vão (tiveram que vir, à conta da bela lesão na ginástica que me deixou imobilizada durante tanto tempo e foram-se com o passar dos tempos).

Não suporto a ideia de me estranhares, de não me conheceres o corpo e a alma (e tu conhecias todos os pedacinhos de ambos como quem decora o caminho para casa). Eu mudei, e comecei a mudar uma semana antes de acabarmos (ou de eu acabar, pronto), mas não queria que me estranhasses.

Preciso de ti, preciso de sentir que ainda faço parte de alguém, e que esse alguém és tu.

Mariana*