Crónica 12

Querido Filipe…

Desculpa-me o tempo que estive sem te escrever. Saí em trabalho durante um mês e preferi aproveitar e não levar comigo a tua morada… Tive de tentar pôr a cabeça em ordem (e tão desordenada que ma deixaste, Filipe).

Fiquei na esperança de te reencontrar. De te reencontrar (encontrar-te por acaso serve) algures no mundo. Preferencialmente, gostava de te reencontrar por uma mera eventualidade na minha cozinha, enquanto te fazia café como antigamente.

Chama-me louca, diz que sou bipolar, não quero saber. Tenho medo de ti (do teu novo eu, que não sejas quem eu espero reencontrar) e ao mesmo tempo preciso de te sentir perto de novo, por isso não
esperes reacções muito balanceadas. Os meus tempos de yôga já lá vão (tiveram que vir, à conta da bela lesão na ginástica que me deixou imobilizada durante tanto tempo e foram-se com o passar dos tempos).

Não suporto a ideia de me estranhares, de não me conheceres o corpo e a alma (e tu conhecias todos os pedacinhos de ambos como quem decora o caminho para casa). Eu mudei, e comecei a mudar uma semana antes de acabarmos (ou de eu acabar, pronto), mas não queria que me estranhasses.

Preciso de ti, preciso de sentir que ainda faço parte de alguém, e que esse alguém és tu.

Mariana*

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One Comment em “Crónica 12”

  1. Tiago Ramos Says:

    Adorei esta crónica, passado tanto tempo.
    Tão bonita, tão simples, tão metafórica…

    AMO.TE*


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