Arquivo de Agosto 2008

Crónica 15

11 Agosto, 2008

Deixas-me sem palavras. Nem sei porque existem palavras, se há momentos em que estamos incapacitados de as pronunciar. As palavras não deviam existir, não achas? Por que existem palavras, se existem os conceitos? E um olhar não basta às pessoas, um toque, um arquear de sobrancelha?

Arqueei a minha sobrancelha quando li a tua carta. Acho que não preciso dizer mais nada. Pensei ainda tirar uma fotografia ao meu olhar, para ver se percebias melhor. Palavras já não são para mim.

Não sei se consigo viver sem informação e conhecimento. Gosto de perceber tudo. A ti, contudo, não percebo. Há dias em que acho que me queres, mas há outros em que não tenho noção alguma do que desejas para a tua vida.

Preciso de um café. Preciso do cheiro dele. (Ou será do teu?) Preciso, acima de tudo, de uma resposta. Tenho necessidade de compreender o passado e, essencialmente a ti. Não queres combinar alguma coisa? Um encontro, um olhar de soslaio a uma distância previamente calculada. Eu numa rua e tu na perpendicular, assim à esquina como quem anda a fugir de algo.

Pode ser? QUERO-TE STOP

Crónica 14

3 Agosto, 2008

Quero-te STOP

Toma lá o teu telegrama… Acho que estou meia doida mas já não me interessa. Já me aconteceu demasiado nesta vida para poder continuar com este vai-não-vai.

Não sei se algum dia te vou conseguir explicar ou justificar-me pelo que fiz naquela tarde. Se consegues viver com isso, tudo bem. Se não, não sei se algum dia vou mudar de opinião.

Acima de tudo preciso de te ver, preciso de te ver o sorriso com que me acordavas naquelas manhãs, com o tabuleiro com o café da manhã (que nunca trazia café) e um beijo. Será que entretanto aprendeste a fazer o café como gostavas que to preparasse? Tenho esperança que não, sinceramente… Apetece-me fazer-te o café e fazer experiências estranhas, como daquela vez em que pus canela… Sou egoísta, mas apetece-me que precises de mim para alguma coisa ainda…

Não quero que sejas o homem adulto, quero que sejas o miúdo com quem sonhava envelhecer, a quem queria descobrir a primeira ruga e que me descobrisse o primeiro cabelo branco, despoletando as crises de meia-idade e eu começasse subitamente a pintar o cabelo de loiro como desculpa para o estar a fazer (e não para disfarçar os brancos).

Diz-me, meu querido… Ainda aceitas envelhecer comigo, mesmo não te contando algumas das coisas que se passaram? Mesmo não sabendo o que se passou naquela tarde e nos últimos anos?