Crónica 17

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Sei que já passou mais de um mês desde que me escreveste a última carta e provavelmente esperavas uma resposta minha. Mas sabes? Às vezes preciso de tempo para digerir. Nunca fui bom de estômago, provavelmente ainda te lembras. Às vezes as palavras dão-me uma digestão difícil e não sei o que hei-de dizer. Quer dizer, até sei o que falar. Afinal é claro que te quero, quero-te muitas vezes, quero-te a dobrar em dias de sol e a multiplicar em dias de chuva. Quero-te, claro que sim. É claro que te aceito, sim aceito. “I do”, como dizem pelas terras do Tio Sam e em outros locais que agora não me lembro. Sabes também que a geografia nunca foi o meu forte.

Entretanto passou o Natal. Sabes há quantos anos não comemoro o Natal? Tantos como aqueles em que desapareceste, menos um. Sim, menos um, porque o primeiro Natal após a tua partida, ainda o comemorei, com esperança que me calhasses no sapatinho. Não calhaste e eu perdi a confiança no velho das barbas. Esse mentiroso.

É claro que te quero. Acho que consigo esquecer o passado. Acho que podemos começar de novo, tipo amigo por correspondência, daqueles de um país estranho com quem trocávamos cartas no ciclo.

Olá, que idade tens? De onde és? Tens namorado? O que fazes? Amas-me?

Esqueci-me que não querias interrogatórios. Queres começar de novo? E que tal o ano novo?

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