Crónica 12

Publicado 11 Junho, 2008 por AnaA
Categorias: Não classificado

Querido Filipe…

Desculpa-me o tempo que estive sem te escrever. Saí em trabalho durante um mês e preferi aproveitar e não levar comigo a tua morada… Tive de tentar pôr a cabeça em ordem (e tão desordenada que ma deixaste, Filipe).

Fiquei na esperança de te reencontrar. De te reencontrar (encontrar-te por acaso serve) algures no mundo. Preferencialmente, gostava de te reencontrar por uma mera eventualidade na minha cozinha, enquanto te fazia café como antigamente.

Chama-me louca, diz que sou bipolar, não quero saber. Tenho medo de ti (do teu novo eu, que não sejas quem eu espero reencontrar) e ao mesmo tempo preciso de te sentir perto de novo, por isso não
esperes reacções muito balanceadas. Os meus tempos de yôga já lá vão (tiveram que vir, à conta da bela lesão na ginástica que me deixou imobilizada durante tanto tempo e foram-se com o passar dos tempos).

Não suporto a ideia de me estranhares, de não me conheceres o corpo e a alma (e tu conhecias todos os pedacinhos de ambos como quem decora o caminho para casa). Eu mudei, e comecei a mudar uma semana antes de acabarmos (ou de eu acabar, pronto), mas não queria que me estranhasses.

Preciso de ti, preciso de sentir que ainda faço parte de alguém, e que esse alguém és tu.

Mariana*

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Crónica 11

Publicado 15 Abril, 2008 por Tiago Ramos
Categorias: Não classificado

Confesso que às vezes não percebo quando falas a sério ou se estás simplesmente a ser irónica. Não sei se tens distúrbios de personalidade ou se sou eu que sou mais complexo do que digo que sou.

Sou sentimentalista? Talvez. Mas será que o melhor que tens a fazer é reprimir os teus sentimentos, é escondê-los? Achas que te tornas mais forte sem mostrar que os tens? Pelo contrário Mariana, pelo contrário. Não mostrares os sentimentos é seres mais fraca, que forte, é revelares que tens medo de assumir o que sentes, que não tens controlo nas tuas emoções. Que sou sentimentalista? Talvez. E tu preferes ser fria?

Dizes que eu não te posso amar, só porque não te vejo há muitos anos. Todos os dias eu te vejo, todos os dias penso em ti, isso não é amar? Contudo, cais no contra-senso de dizeres que amas o Filipe que conheceste. Agora diz-me por favor, por que não te posso amar e tu podes? Por que tens direito de sentir algo por mim e por que tenho eu de reprimir aquilo que por tantos anos ansiei? Por que não enfrentas a realidade, por que não recuperas a tua coragem antiga? Sempre fui corajoso, dizes tu. Por que não hás de ser também?

Por que não combinarmos um encontro? Não um encontro, encontro. Um encontro esporádico, nem peço um café, nem umas horas sentado contigo. Peço apenas uns segundos. Por que não combinarmos ir às Finanças no mesmo dia? Por que não rentabilizarmos anos de ausência numa fila de serviços?

Um dia hás de dizer-me que sim. Nem que seja nos meus sonhos, durante a fase REM..

Filipe

Crónica 10

Publicado 8 Abril, 2008 por AnaA
Categorias: Não classificado

Amas-me… Estás anos sem me ver e dizes que me amas… Amas-me ou amas a memória que tens de mim? Aquela que o tempo vai polindo até deixar só as coisas boas e fazer esquecer as más? Amas-me Filipe?

E ainda dizes que sou eu que complico as coisas… Eu complico as coisas de uma forma demasiado racional… Tu complicas de forma sentimental… Sempre me conheceste, e à minha mente hiperactiva, estavas à espera de milagres? O tempo pode fazer muita coisa, mas milagres não sei…

O amor só é uma coisa simples na sua base… Tudo o resto que vem, dificilmente será simples. Muito menos no meu caso…

Mas ainda assim, isso não interessa para nada. Eu ainda amo o Filipe que conheci, mas tenho medo de descobrir que ele já não existe. Tenho vontade de te ver, mas ao mesmo tempo não quero. Sempre tive medo de te perder, e o medo continua.

Apetece-me ver-te, descobrir-te os fios de cabelo branco no meio do teu cabelo preto, comparar os nossos tons de pele como antigamente, ser feliz como era… Mas já não acho que possa. Eu dei cabo de tudo quando parti, dei cabo de ti, de mim e de nós… Tenho medo de não conseguir enfrentar a nova realidade… Tu é que sempre foste o corajoso.

Mariana*

Crónica 9

Publicado 2 Abril, 2008 por Tiago Ramos
Categorias: Não classificado

És complicada demais, a tua cabeça funciona de forma diferente da minha.
Desculpa começar uma carta desta forma, desculpa entrar de rompante por tua casa adentro, em formato de palavras escritas, de modo arrogante a afirmar que complicas demais, mas efectivamente complicas.
Não, não entendo. Já tentei entender muita coisa, já tentei perceber por que é que o céu é azul, por que é que o sol é tão quente, até por que é que quando chove surge um arco-íris… Houve muita coisa que fiz um esforço para perceber, mas porque tu partiste nunca tentei perceber. Não posso tentar perceber uma coisa que me aflige, que não tem compreensão possível.
O amor é uma coisa simples. Qual é a dificuldade? Duas pessoas, o mesmo amor. Por que insistes em tornar as coisas tão complicadas?
Estou a começar a ficar cansado. Se eu não te amasse tanto acho que já tinha desistido.
Existe uma diferença. Tu viste-me em Braga. Tiveste a oportunidade de me ver as cãs do cabelo, de ver as modificações que me ocorreram na pele, as mudanças na roupa, na pose e no trejeito. Eu não tive nada disso. Não te vi. Há anos que não te vejo, há anos que não te miro por cima do meu jeito de homem indiferente, admirando por trás de todo o meu orgulho, como se fosses a coisa mais preciosa na Terra.
És a coisa mais preciosa na Terra. Parece um bilhetinho trocado entre meninos da primária, mas sinto-me realmente desta forma. Eu amo-te, mas há coisas que não suporto, a tua ausência é uma delas. Acho que me esqueci de como realmente é a tua face. Acho que me estou a esquecer de ti, de mim, de nós. Do passado.
Largaste quem poderias vir a gostar, por minha causa. Eu fico feliz, é verdade. Mas só isso não chega. Mexe-te também , age, dá às pernas, anda de bicicleta, mas por favor, faz alguma coisa. Salva aquilo que resta entre nós, salva as lembranças que ainda tenho, permite que te veja, permite que te ame. Depois sim, podes falar em acordar.

Filipe.

Crónica 8

Publicado 31 Março, 2008 por AnaA
Categorias: Não classificado

Apetece-me abanar-te… Sim, estou num modo violento hoje… Tenho vontade de te dar um estalo ou qualquer coisa que te faça acordar, que faça voltar a ti o Filipe que conheço. Aquele que não se vestia de luto… Se ele está aí dentro adormecido, por favor engole um despertador, sim? Daqueles que não se calam até uma pessoa os mandar contra a parede (se precisares mando-te um por correio junto com a próxima carta).

d-orsay-clock3.jpgEu não fui ter contigo porque não quis nem consegui. Estavas à espera do quê? Que te desse dois beijinhos, perguntasse como vai a vida e a seguir virasse costas? Ou que ficássemos feitos estúpidos a olhar um para o outro no meio de um silêncio constrangedor? Eu não aguentava nenhum deles. Só se soubesse que havia a possibilidade (com cerca de 200% de probabilidade, não suportava menos) de voltar a falar contigo como antigamente.

Dás-me a volta à cabeça, Filipe, ainda não percebeste isso? Desde a primeira carta que mal durmo, mal como (e eu nunca fui muito de fazer nenhum deles, imagina agora). Tinha uma possibilidade de uma relação com um colega de trabalho de quem até gostava, mas chegaste tu e lembrei-me de que “gostar” não chega. Dei-lhe tamanho chuto no rabo que acho que ainda hoje lhe dói, coitado.

Ainda me afectas como afectavas antigamente… Não posso dizer que se voltasse atrás mudava tudo, porque não podia mesmo. Mas gostava que não tivesse sido assim, gostava de poder ter continuado contigo. Não compreendeste na altura e acho que nunca vais compreender… Normalmente é o que acontece quando não se conhece toda a história… Mas peço-te que um dia tentes perdoar-me… Só o tentares já me fazia feliz…

Mariana *

Crónica 7

Publicado 23 Fevereiro, 2008 por Tiago Ramos
Categorias: Não classificado

Penso que aos poucos começo a largar o meu trauma de não te conseguir tratar por diminutivos carinhosos ou por outros termos semelhantes.  Acho que chamar-te “querida” já é um grande progresso. No entanto, deixaste-me agora estarrecido ao dizeres que me viste em Braga. Também passeias por aqueles lados? Por que não me disseste nada, por que não me puxaste por um braço, por que não gritaste na rua por mim? Acho que nem eu teria sabido o que fazer, mas o simples facto de te ver novamente, passados tantos anos, era suficiente…

Já não ando de calções, Mariana. Estas pernas já não são o que eram antes, já não se prestam a isso. Em revistas nunca mais apareci, desde que partiste nunca mais surgiu um trabalho que me desse gozo fazer, nunca mais me esforcei por isso. Continuo a fotografar por passatempo, sabes que sempre gostei de fotografia e apesar de não andar pelas montanhas, ainda me dá prazer ir a alguma cidade vizinha, de tripé às costas fotografar a arquitectura e paisagens. Braga serviu para eu rever o Museu da Imagem, local que me revigora.

Viste-me de fato, porque esse é o meu traje diário. Acho que uma pessoa quando perde o amor da sua vida, se deve vestir de uma forma formal, de fato escuro, como se todos os dias houvesse uma cerimónia de despedida, de fazer o luto.

Contudo, penso que o antigo Filipe, aquele que conhecias, ainda existe, está apenas adormecido, à espera de uma bela que o acorde. À espera que tu o acordes.

Eu digo-te onde reencontrar o Filipe. Eu conto-te, desde que voltes.

 

Um beijo de quem sempre espera por ti,

Filipe

Crónica 6

Publicado 30 Janeiro, 2008 por AnaA
Categorias: Não classificado

Continuas o mesmo de sempre… Já não me lembrava desse teu lado, mas essa tua atitude, de teres ficado feliz por ainda pensar em ti, parecias-me o mesmo por quem me apaixonei. Já não me lembrava dos dois anos que passaste a tentar convencer-me de que eras a pessoa ideal para mim. Éramos tão felizes nessa altura… E especialmente felizes quando me deixei convencer… As coisas mudam tanto…

Um “não definitivo” é temporário quando acontecem certas coisas… E o que aconteceu há umas semanas atrás é que te vi. Sim Filipe, eu vi-te em Braga. Não te disse nada porque não fui capaz, porque os meus sapatos colaram-se ao chão e não fui capaz de andar, de ir ter contigo e dirigir-te um “olá, tudo bem?” como se nada fosse. Depreende-se daqui que é, portanto, alguma coisa. És uma parte da minha vida que eu já não tencionava nem esperava reencontrar. Daquelas que se guardam na memória como uma boa recordação.

 

Pareceste-me mais baixo… Como se algo pesasse em ti, já nem a tua expressão é a mesma. E estavas de fato (meu Deus, como me lembro do quanto odiavas fatos, do quanto imploraste para que te deixasse ir sem gravata ao baile de finalistas). Sempre pensei que, se algum dia te reencontrasse, seria em qualquer revista, de calções e perdido algures numa qualquer montanha que tivesses ido fotografar… Mas não… O que é feito de ti, Filipe? Dos teus sonhos?

 

Fazes-me falta, apesar de tudo. Foi o que concluí. Apesar de não seres o mesmo, apesar de aquilo que tivemos ter sido há tanto tempo, fazes-me falta. Completavas-me e, ao partir, deixei um bocado de mim contigo. São coisas que já não se podem mudar…

 

Explica-me onde posso reencontrar o velho Filipe. Tenho saudades dele.

Mariana*